Emoções Negativas: o que a psicologia nos ensina sobre ouvir o que você sente

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Em um mundo que valoriza o pensamento positivo, é comum acreditarmos que emoções como tristeza, raiva ou medo são sinais de fraqueza. A verdade, apoiada por décadas de pesquisa em psicologia e neurociência, é outra: todas as emoções têm função. Neste artigo, você vai entender por que acolher o que sente é um passo essencial para o autoconhecimento e para uma vida emocional mais equilibrada.

Por que conversar sobre emoções negativas?

As emoções funcionam como sinais internos — mensagens que indicam necessidades, perigos ou oportunidades de mudança. Tentar eliminar ou silenciar essas sensações frequentemente aumenta o sofrimento. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e outros referenciais clínicos reforçam que o foco terapêutico não é “tirar” emoções, mas aprender a responder a elas de forma mais adaptativa.

Nenhuma emoção é “ruim” por si só

Pesquisas na área da psicologia das emoções mostram que emoções negativas têm papéis adaptativos: elas nos ajudam a processar perdas, proteger nossos limites e evitar perigos. Paul Ekman, Lisa Feldman Barrett e outros estudiosos destacam que rotular emoções como boas ou más simplifica demais um sistema complexo — e útil — que evoluiu para garantir nossa sobrevivência e bem-estar.

Tristeza: a emoção que permite recomeçar

A tristeza aparece frequentemente após perdas ou mudanças significativas. Ela desacelera o corpo, favorece a reflexão e cria espaço para reconstrução. Em terapia, a tristeza é trabalhada como um processo que, quando acolhido, facilita o luto, a adaptação e o surgimento de novos sentidos.

Raiva: a emoção que protege seus limites

A raiva é uma resposta a injustiças e transgressões. Sua função é clara: indicar que um limite foi ultrapassado e mobilizar energia para restabelecê-lo. Na clínica, aprendemos a reconhecer os sinais da raiva e a transformá-la em ações assertivas — e não destrutivas.

Medo: o guardião da sobrevivência

O medo ativa processos fisiológicos que preparam o corpo para reagir — lutar, fugir ou se proteger. Quando o medo é desproporcional ou passa a limitar a vida, ele se torna alvo de intervenções clínicas que visam distinguir o perigo real do imaginado e construir estratégias seguras de enfrentamento.

Culpa, frustração e outras emoções

A culpa pode ser um motor de reparação social; a frustração treina a tolerância e a persistência; o nojo protege contra o que pode nos fazer mal. Cada emoção traz, na sua experiência desconfortável, um convite para cuidar de algo — um limite, um valor, uma necessidade não atendida.

Como a terapia ajuda

Na terapia, você encontra um espaço seguro para entender essas mensagens internas sem julgamento. Técnicas da TCC, da terapia baseada em evidências e abordagens integrativas auxiliam no reconhecimento de padrões, no desenvolvimento de estratégias de regulação emocional e na construção de escolhas mais alinhadas aos seus valores.

O que você pode começar a fazer hoje

  • Observe a emoção sem rotulá-la como boa ou ruim.
  • Faça a pergunta: “O que essa emoção quer me dizer?”
  • Anote situações que precedem emoções intensas para identificar padrões.
  • Procure ajuda profissional se a emoção estiver impedindo sua rotina.
 

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